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Filosofias e blá blá blá.

QUARTIER LATIN

Arte: A Salvação do Homem

 

Ao longo da vida, e sempre que termina um ciclo contado pelo nosso calendário, somos estimulados a uma reflexão. Uma espécie de balanço. O que ganhamos? O que perdemos? O que fomos e o que somos agora? Evoluímos ou estagnamos? Ou, ainda, regredimos?

Estas perguntas podem ser respondidas sob diferentes óticas e abordagens. É fundamental qualificar a questão para que não nos percamos em divagações muito abrangentes. Evoluímos politicamente? Estagnamos socialmente? Houve progresso tecnológico e científico? Regredimos do ponto de vista ético-moral?

Estas questões devem e podem ser respondidas isoladamente. Porém, não podemos perder de vista o sentido global que devem ter. Ao final do questionário, deve haver uma resposta à questão mais abrangente para a qual convergem todas as anteriores: a Humanidade está melhor ou pior hoje do que 2000 ou 5000 anos atrás?

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Aqui não cabe uma só resposta porque, lamentavelmente, temos de admitir que as coisas não vão bem. Em tantos milhares de anos, a Humanidade não foi capaz de desenvolver formas de convívio harmonioso através dos conhecimentos que adquiriu nos campos científico, tecnológico, filosófico, politico e, até mesmo, religioso.

A Ciência e a tecnologia criaram métodos fantásticos de preservação da vida e bem estar dos homens, ao lado de aparatos sofisticados de destruição.

A Filosofia desenvolveu correntes de pensamento humanitário e outras anti-humanas; muitas vezes esteve a serviço de grupos radicais, dando pretexto para suas ações destruidoras.

A Política – área da Filosofia e Ciência Humana – não conseguiu desenvolver um sistema social justo e equânime nas suas diferentes correntes ideológicas.

As religiões procuram estabelecer formas de relação com o cosmos e com energias superiores – conceitos que são intuitivos no homem – mas tornaram-se dogmáticas e sectárias. Já se matou – e ainda se mata (inclusive crianças) – em nome de uma crença qualquer.

Por que motivo tanto trabalho e gasto energético de tantos, ao longo dos tempos, não foi capaz de tirar o homem do caminho de destruição em que ele, sistematicamente, se coloca? A resposta é que no Universo, e, portanto, na Natureza (incluindo a Natureza Humana), o Bem e o Mal, a construção e a destruição, o nascimento e a morte, são parte do mesmo processo dinâmico de vida. Tudo o que vibra – do átomo e suas partículas infinitesimais ao Cosmos infinito – está num pulsar constante de expansão e contração, tentando o equilíbrio entre estas polaridades positivas e negativas.

Não há por que negar o Mal. Ele é apenas um lado da questão. O que é mal, hoje aqui, pode não sê-lo amanhã ou em outro lugar. O importante é não perdermos a noção do equilíbrio. É a isto que, na verdade, chamamos de correto, bom, justo. O que está fora da ordem cósmica é o que está em desequilíbrio.

A busca do equilíbrio é, de fato, a mola propulsora da nossa evolução. Mesmo sem perceber, é no exercício de harmonizar estas polaridades que evoluímos. Quando nos damos conta, sentimos que não somos mais os mesmos. Transformamo-nos. Esta é a palavra-chave: transformação.

As ferramentas já citadas que a Humanidade desenvolveu para sua vida e sua evolução – ciência, tecnologia, filosofia, política, religião – não colaboraram o suficiente neste propósito porque atingem apenas um lado do homem: a Razão. E o que vemos hoje é exatamente isto: o Homem, com extraordinário desenvolvimento intelectual e racional, engatinhando perdido na selva das próprias emoções, sem compreender a mais simples e singela manifestação da sua alma pueril.

É aí que entra o que entendo ser o grande trunfo para o Homem do Terceiro Milênio acrescentar ao seu vasto leque de instrumentos já conquistados: a Arte.

Sim, é a Arte que vai salvar o Homem da queda final.

A Arte no sentido maior, como mecanismo de autoconhecimento. Porque só a Arte é capaz de entrar em contato com as emoções humanas. Não choramos frente à visão magnificente de uma nave tripulada, no momento do seu lançamento, embora este fato possa nos entusiasmar. Mas a música, a dança, contemplar um quadro, ouvir um poema, são capazes de nos fazer chorar. Quando isto acontece, estamos em contato com o lado mais transcendental do nosso ser. Estas vivências através da Arte – produzindo-a ou fruindo-a – é que são capazes de nos fazer transcender. Transcender é fazer passagem para outros planos, atingir outras camadas de nós mesmos, é transmutar-se, transformar-se.
A Arte é tão importante neste papel, que deveria ser ensinada em todas as suas modalidades, na escola regular. Não como matéria acessória, mas como atividade fundamental. A Arte está em nós intuitivamente. Todos temos necessidade de expressão artística. Apenas não o fazemos por termos estes canais bloqueados pela educação racionalizada e tecnicista que recebemos. Observe uma criança pintando, dançando, esculpindo e verá o que é livre expressão interior.

É assim – e somente assim – através da Arte, mudando cada ser individualmente, cada um no seu ritmo, cada qual com sua limitação e sua potencialidade, que atingiremos a evolução humana. De dentro para fora. Da parte para o todo. Do um para o infinito.

 

escrito por: Marisa Ballarini

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